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O Rito Adonhiramita

DOUTRINA E SIMBOLOGIA

DISMISTIFICANDO O RITO ADONHIRAMITA

INTRODUÇÃO

Segundo uma corrente histórica fortemente adotada na nossa Sublime Instituição e, particularmente do Rito Adonhiramita, a Maçonaria teve origem nas antigas fraternidades iniciáticas do Egito, das quais rece­beu a tradição simbólica que, com o maior cuidado, guarda intacta, a fim de poder transmiti-la aos seus Iniciados.

De acordo com a história, existia no oriente uma ordem filosófica chamada "Sociedade de Hormuz/Ormuz" fundada por Hormuz, Sacerdote e Seráfico de Alexandria, conhecido também como Sábio de Memphis, convertido por São Marcos por volta do ano 43 d.C. Após converter seus adeptos, modificou a doutrina dos egípcios segundo os princípios do cristianismo. Eles professavam um misto de doutrinas egípcias e cristãs, denominavam-se "Sábio da Luz", repleto de alegorias e mistérios, trazendo como emblema, uma Cruz Vermelha. Os Sábios da Luz seriam os únicos repositórios da sabedoria egípcia, purificado pelo cristianismo, vieram a se reunir em uma escola chamada "Da Ciência de Salomão" de origem essênio-judaica, de onde talvez, surgisse a maçonaria.

Por volta de 1187-1188, após a tomada de Jerusalém por Saladino, discípulos dessa antiga escola fundaram na Europa a Ordem dos Cavaleiros do Oriente, onde ensinavam as altas ciências. Dizem que Raymond Lulle a ela pertenceu e foi quem iniciou o filho de Henrique III, rei da Inglaterra.

O Rito Adonhiramita foi assim criado em 1738, com sua publicação definitiva em 1744 (Catéchisme des Francs-Maçons) por Louis Antoine Travenol, que usava o pseudônimo de Abade Leonard Gabanon, sendo reformado por Louis Theodore Henri Tschoudy, vulgo Barão de Tschoudy, (1752-1769) com a participação ativa de Jean Baptiste Thomas Pirlet; e uma segunda reforma por Louis Guillemain Saint-Victor, (1782-1785); o Rito Adonhiramita é um sistema maçônico cuja à história é quase impossível fazer-se por falta de documentos históricos. A história dos reis e dos povos, de seus costumes e de seus atos, traça as grandes evoluções da Humanidade, das crenças e a situação geral. Do mesmo modo que os an­ti­gos filósofos egíp­cios, para subtrair seus segre­dos e mis­térios aos olhos profanos, mi­nistravam seu ensino por meio de símbolos e alegorias, a Or­dem Maçônica, conti­nu­ando aquela antiga tra­dição, encerra sua doutrina e filosofia em símbolos e alego­rias, pe­los quais ocultam suas ver­dades ao mundo profano, só as reve­lando àqueles que ingressam nos seus templos.

O RITO ADONHIRAMITA E SEUS PERSONAGENS

LOUIS ANTOINE TRAVENOL JR.

Nasceu em Paris em 1698, filho do Professor Louis Travenol e Mary Anne Travenol. Ao som do piano de um professor de dança (seu pai) aprendeu os rudimentos do violino, e também, com Clérambault e Senaillé desenvolveu a arte da música, além do domínio do cartunismo. Falecendo em Paris em 1783. Pseudônimo (nome histórico): Abade Leonard Gabanon.

Ele teve que ganhar a vida desde menor idade, embora já se soubesse há algum tempo antes de 1735 que ele estava empregado como primeiro mestre de violino e música do rei da Polônia na corte de Lorena em Lunéville. Em 1739, ingressou na Orquestra de Opera de Paris. Apresentando-se de caráter forte e controverso, com certo talento literário, ele se destacou como um panfletista. Na arte literária, ele deixou sua marca na história da França, defendendo a música francesa e combatendo violentamente Voltaire, Rousseau e Mondonville, travando acirradas disputas judiciais.

Como resultado da reimpressão de Travenol, em 1746, de um panfleto de Jacques Bénigne Bossuet,  dirigido contra Voltaire e ocasionado pela eleição deste último para a Academia Francesa de Musica, Voltaire travou uma longa batalha judicial contra Travenol, vindo ocasionar em um incidente contra seu pai, Prof. Travenol, com idade avançado de 80 anos, sendo preso por engano no lugar de seu filho. Depois do incidente, Travenol e seu pai ingressaram com uma ação nos tribunais contra Voltaire, sendo o mesmo processado e condenado a indenizá-los.

 

Em 1753, ele participou da famosa Querelle des Bouffons. Como defensor da música francesa publicou dois panfletos contra Rousseau (defensor da música italiana) se envolvendo em outra disputa judicial. Com problemas de saúde, Travenol foi retirado da ópera em 01 de abril de 1758, provocando outra série de publicações recriminatórias, uma das quais, dirigida principalmente a Mondonville, que seria um dos diretores do Concerto Espiritual.

A produção literária polêmica de Travenol ofuscou sua atividade como intérprete e compositor, embora ele tenha sido mais do que competente em ambas as esferas. Ele regeu tanto a música como também compôs para sua Opera, além  de organizar a orquestra sinfônica em 31 de março de 1750, no Grande Concerto Espiritual de Paris.

Obras:

Musica - Opera:

•"La raie" (Paris, 1728)

•Les petits maisons, (Paris 1732)

•Vous riez de notre délire, vaudeville (Foire St Germain, 1732)

•La Fierté vaincue par l'Amour, cantate à voix seule et simphonie suivie d'un petit divertissement (Paris, 1735)

•Premier livre de 6 sonates a violon seul avec la basse continue (Paris, 1739)

•Première suite de simphonies pour violons, flûtes, hautbois (Paris, vers 1750)

Literatura:

•Catechisme Des Francs-Maçons: Précédé d'un Abrégé de l'Histoire d'Adoniram, Architecte du Temple de Salomon – (Israel e Paris, 1738-1744)

•Arrest du conseil d'état d'Apollon (Paris, 1753)

•with J.-B. Durey de Noinville: Histoire du théâtre de l'Académie royale de musique en France (Paris, 2/1757/R)

•La galerie de l'Académie royale de musique (Paris, 1754)

•Requête en vers d'un auteur de l'Opéra, au prévôt des marchands (Paris, 1758)

•Les entrepreneurs entrepris, ou Complainte d'un musicien opprimé par ces camarades (Paris, 1758)

•with L. Mannori: Mémoire pour le sieur Travenol, ex-musicien du roi de Pologne … contre le sieur Mondonville, ex-musicien du roi, le sieur Caperan, ex-musicien de l'Opéra, et la Dame Royer, tous trois entrepreneurs et directeurs du Concert Spirituel (Paris, 1758)

•Oeuvres mêlées du sieur , ouvrage en vers et en prose, contenant des remarques curieuses … sur la lettre de J.-J. Rousseau contre la musique françoise (Amsterdam, 1775)

•Académie Royale - Histoire du théâtre de l'Académie royale de musique en France depuis son établissement jusqu'à présent - Jacques-Bernard Durey de Noinville - Louis-Antoine Travenol - Duchesne - 1757

LOUIS THÉODORE HENRY TSCHOUDY

(BARÃO DE TSCHOUDY)

Nasceu Metz, em 21 de agosto de 1727. Filho de Claude Henry Tschoudy e Louise Christine Roaut de Assy. Advogado, militar no Regimento Real de Suíça do Prince Raimond di Sangro, conselheiro parlamento de Metz, maçom entusiasta, filosofo e escritor. Faleceu em 28 de maio de 1769, em Paris, com 42 anos de idade. Usava o pseudônimo (nome histórico): Cavaleiro de Lussy.

Resolveu e residir na Itália com seu tio, em 1751, sendo iniciado na maçonaria em uma Loja Napolitana da qual foi Venerável Mestre. Em Haia lança dois panfletos em resposta à Bula Papal publicada pelo Papa Bento XIV, em 18 de maio de 1751, “Excomungação dos Maçons”. Apesar de seu pseudônimo, Tschoudy foi descoberto e preso em Nápoles. Seu tio, General Marshal, o faz escapar para a Holanda onde ficou exilado. Durante suas viagens assumiu a presidência de uma loja em Haia. Foi também eleito Grão-Mestre das Grande Loja das Sete Províncias. Residindo na Rússia assumiu a venerancia de uma loja em São Petersburgo. Em 1755 ele ocupou o cargo conselheiro da Imperatriz Elisabeth da Rússia.

Retornando à França, tornou-se conselheiro no Parlamento de Metz e Venerável Mestre de sua antiga Loja, afiliando-se em 1762, aos Cavaleiros do Conselho do Oriente. Autor dos rituais do "Soberano Conselho de Príncipes Maçons Rosa-Cruzes. Acreditava e afirma em suas obras que a maçonaria teria sua origem do Antigo Egito. Entre 1762-1765 se associou a Jean Baptiste Pirlet e reescreveu todos os rituais do Conselho dos Cavaleiros do Oriente, introduzindo aos rituais "A Estrela Flamejante, atualmente adotada pelo REAA e outros ritos".

Em 1766, ele escreveu seu famoso livro intitulado "L'Etoile Flamboyante" que nada tem haver com o Rito Adonhiramita. Também escreveu um sistema completo de graus alquímicos com instruções notáveis ​​para a Grande Obra, em alguns dos quais, como o "Cavaleiro da Íris", o "Cavaleiro da Fênix" ou o "Comandante das Estrelas", adotados a partir do seculo XIX nos autos graus dos ritos Memphis e Memphis-Misraim.

 

Nos últimos anos de vida, ele se dividiu entre Metz e Paris, sendo venerável da Loja "Saint Etienne" de Metz, presidente da Grande Loja Provincial dos Três Bispos, Chefe do Colégio de Santo André da Escócia e Comandante do Capítulo dos Cavaleiros da Palestina. Criou os rituais do Rito Escocês de Santo André da 'Escócia, sendo utilizado em todos sistemas maçônicos existentes a partir do século XIX.

Obras:

  • Thérèse philosophe ou Mémoires pour servir à l'histoire du P. Dir rag (Girard) et de mademoiselle Eradice (Cadière) – (1748)

  • Etrenne au pape, ou Les Francs-maçons vangés , réponse à la bulle d'excommunication lancée par le pape Benoît XIV – (1752)

  • Le Philosophe au Parnasse françois ou Le moraliste enjoué , lettres du chev. de L.** et de Mr. de M – (1754)

  • Rituel des grades alchimiques du baron Tschoudy - (1762)

  • L'Etoile flamboyante ou la Société des Francs-Maçons - (1766)

  • Écossois de Saint-André d'Écosse. De l'art royal de la Franç-maçonnerie et le but direct, essentiel - (1769)

JEAN BAPTISTE THOMAZ PIRLET

Nasceu em Namur, Bélgica, em 27 de junho de 1717. Filho de Jean Hubert Pirlet e Anne Marie Spinsmaille. Escritor, teólogo, mestre-alfaiate e comerciante de tecidos finos. Contraiu núpcias com Marie Anne Lemineur, em 29 de novembro de 1744, tendo com os filhos: Marie Catherine Pirlet; Marie Françoise Pirlet; Jean François Pirlet; Marie Anne Joseph Pirlet; Jean Joseph Pirlet; Marie Joseph Pirlet; Jean Baptiste Pirlet; Caroline Pirlet; Marie Thérèse Pirlet. Residiu toda sua vida na Rua d'Orléans-Saint Honoré, perto do Hotel d'Aligre, Paris. Ele faleceu em Paris, em 25 de janeiro de 1791, com 73 anos de idade.

Na maçonaria foi uma figura de grande importância e valor para o sistema escocês, infelizmente, esquecido pelo escotismo moderno. Ele criou o sistema de autos graus  (1757-1758), denominado Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente ou Ripo de Perfeição de Heredom com 25 graus. Por questões politica, não concordando com as decisões do Conselho, em 1761 deliga-se do auto corpo e funda em 22 de julho de 1762, um novo auto corpo, denominado Conselho dos Cavaleiros do Oriente, trazendo para sua direção, o Barão de Tschoudy, que resolve revisar e ajustar todos os rituais do auto conselho, além de contribuir com a criação do Grau dos Cavaleiro de Santo André. Introduz ao sistema "A Estrela Rutilante ou Flamejante" e o Capitulo Rosa-Cruz ainda não existente em nenhum corpo maçônico daquela época. Foram varias tentativas de Pirlet em fundir as Grandes Lojas com o Conselho dos Imperadores, vindo ter êxito em 14 de agosto de 1766.

 

Pirlet criou além do Rito de Perfeito, o Sistema Escocês Trinitário (1752-1753) com 15 graus, sendo publicado em 03 de dezembro de 1765, após separar-se de Tschoudy. Ele fundou a primeira Loja Maçônica Trinitária em Paris, sendo seu primeiro Venerável Mestre.

Obras:

  • l'Ordre Écossais des Trinitaires (1752-1753)

LOUIS GUILLEMAIN DE SAINT-VICTOR

Nasceu em Paris, por volta de 1735. Pouco se sabe de sua vida, entretanto, pode-se afirma que sua obra principal "Recueil Précieux de L´Maçonnerie Adonhiramite" lhe rendeu fama por um bom tempo. Esta obra foi compilada a partir da obra de Leonard Gabanon e a reforma do Barão de Tschoudy. Vale ressaltar que a obra só foi publicada após a morte do Barão de Tshoudy e Louis Travenol. Vale lembrar que Tschoudy em vida pediu para que nunca fossem publicadas as compilação maçônicas aos olhares profanos, infelizmente, Saint-Victor, como tantos outros o ignorou.

Conde Saint-Gelaire introduziu na França em 1757, a Ordem dos Cavaleiros Noaquita ou Prussianos nos moldes do Capítulo de Clemont, acirrou uma batalha judicial contra San-Victor por ter plagiado sua obra, sem nada mudar, introduzindo no Recueil Précieux de L´Maçonnerie Adonhiramite como ultimo grau (13º Grau) de sua obra. Também teria plagiado o Rito de Adoção conhecido como Rito para  Damas.

Obras:

  • L'Adoption ou la Maçonnerie des Dames, (1779-1786)

  • Recueil Précieux de la Maçonnerie Adonhiramite,  (1781-1787)

  • Histoire Critique des Mystères de l'Antiquité, (1788)

  • Manuel des franches-maçonnes, ou la Vraie maçonnerie d'adoption (1786)
    La Vraie maçonnerie d'adoption (1786)

     

O SURGIMENTO OFICIAL DO RITO ADONHIRAMITA NA EUROPA

Logo após o Grande Oriente da França criar uma comissão de altos graus em 1773 (como já havia ocorrido na Inglaterra), começa a aparecer naquele país os Capítulos ou Lojas Capitulares objetivando gerir os graus ditos filosóficos, posteriores ao grau de Mestre Maçom. Foi proposto nesta Comissão (por Alexandre Louis Roettiers de Montaleau) um estudo sobre todos os graus existentes e praticados na França, buscando criar um sistema ordenado que contemplasse toda filosofia maçônica.


Assim neste efervescer de acontecimentos próprios da época, no ano de 1781, Louis Guillemain de Saint-Victor publica o “Recueil Précieux de la Maçonnerie Adonhiramite” (1ª Ed. – A Philadélphie/Philarethe), traduzido para o português como “Coleção Preciosa da Maçonaria Adonhiramita”, com os 4 primeiros graus: um compêndio onde encontra-se descrito os Graus de Aprendiz, Companheiro, Mestre Maçom e um quarto Grau como continuação, denominado Mestre Perfeito, completando assim o simbolismo à época e, de fato, sintetizando toda vertente francesa daquele tempo, colocando Adonhiram como o grande nome da Lenda Maçônica.

Em 1785 o Grande Capítulo Geral da França entrega seu trabalho de "Síntese dos Altos Graus Franceses". No ano seguinte, em 1786, Louis Guillermain de Saint-Victor publica a segunda edição de sua Coleção Preciosa. Foram, portanto, 6 anos depois da primeira edição, como ele próprio informa no texto da apresentação desta nova publicação.

E nesta segunda edição ele apresenta o ritual com 12 Graus (sendo o Grau Rosa Cruz como o "nec plus ultra”, seguido de um texto inserido no final desta nova edição, informando tratar-se, simplesmente, de uma curiosidade maçônica e não mais um específico Grau.

Guillemain de Saint-Victor afirmava que o Grau chamado, Noaquita ou Cavaleiro Prussiano não teria nenhuma conexão com a série anterior de doze graus apresentada por ele, deixando claro que seria somente a título de complemento e curiosidade maçônica que trouxe para o seu segundo volume da Compilação Preciosa, uma tradução do alemão, de autoria de M. de Bérage. De fato, ele publicou (no Journal de Trévoux em 1785) a tradução do trabalho em alemão a respeito do Grau Noachita ou Cavaleiro Prussiano.

A obra de Louis Guillemain de Saint-Victor teve repercussão extremamente positiva a ponto de após o lançamento da primeira edição e mesmo ano do lançamento da segunda edição da Compilação Preciosa da Maçonaria Adonhiramita já estava sendo publicada em francês no exterior, especificamente na Filadélfia, EUA.

Esta obra se tornou uma referência canônica do Rito Adonhiramita e com ela o próprio rito alcançou ampla divulgação e expansão na Europa, chegando a se tornar o principal Rito do Grande Oriente Lusitano, sendo exportado para suas colônias na África, Ásia e Novo Mundo (Brasil). Na França, tornou-se, junto com a estrutura proposta pelo Grande Capítulo Geral, o padrão de “Ortodoxia da Maçonaria”.

O SURGIMENTO OFICIAL DO RITO ADONHIRAMITA NO BRASIL

Alguns autores acreditam na possibilidade das lojas “Reunião” (1801) e “Distintiva” (1812), terem trabalhado no Rito Adonhiramita por conta de intercâmbio dos viajantes portugueses e franceses da época na cidade do Rio de Janeiro, infelizmente, sem prova documental. Pode-se afirmar que o rito foi oficialmente instalado no Brasil no dia 15 de novembro de 1815, com a fundação da Loja Maçônica Comércio e Arte , Rio de Janeiro, sendo seus trabalhos interrompidos em 30 de março de 1818, quando o Imperador D. João VI emitiu um Alvará Régio, "Lesa Majestade" obrigando as sociedades secretas, de qualquer forma e denominação no território luso brasileiro cessarem suas atividades.

A Loja Comercio e Arte retomar suas atividades 24 de junho de 1821. Precisamente em 17 de junho de 1822, a Loja seguindo o modelo da Bahia, dividiu-se em três lojas simbólicas: “Loja Maçônica Comércio e Artes na Idade do Ouro”; “Loja Maçônica União e Tranquilidade; “Loja Maçônica Esperança de Nictheroy”; assim se formou o segundo grande oriente denominado de "GRANDE ORIENTE BRAZILEIRO" (BRASÍLICO OU BRASILIANO), tendo sua sede instalado na Rua do Conde, de de efêmera duração.

Os primeiros rituais impressos no Brasil foi traduzido da Compilação Preciosa da Maçonaria Adonhiramita no ano de 1833, e sua impressão foi homologada e autorizada em 1836. A primeira edição foi impressa pela Typographia Astral, na rua Beco dos Quarteis, 21, Rio de Janeiro.

A FUNDAÇÃO DA OFICINA CHEFE DO RITO ADONHIRAMITA


Com a fundação do Grande Oriente Brasílico sobre a égide do Rito Adonhiramita, que nasceu uma obediência mista (era muito comum na época potência simbólica governar os graus filosóficos), ou seja, trabalhava e gerenciava, sob um  único comando, tanto os graus filosóficos como graus simbólicos. O Rito Adonhiramita sofreu, portanto, um certo abandono no Grande Oriente do Brasil durante esse período, só revitalizando-se em 1833, quando da fundação da Loja “Sabedoria e Beneficência”, na cidade de Niterói, (abateu colunas em 1850). Em 1839, surgiu a 2ª loja denominada de Loja “Firmeza e União”, no mesmo ano em que o Grande Oriente do Brasil instituiu o Grande Colégio dos Ritos Azuis, incluindo o Rito Adonhiramita.

Em 1854, com a incorporação regular do Rito Escocês Antigo e Aceito ao GOB do Lavradio, o “Grande Colégio dos Ritos” sofreu uma transformação. Tendo em vista que oficialmente o REAA se incorporaria ao GOB e exigia um governo separado, não poderia ser simplesmente em conjunto com “Grande Colégio de Ritos” ou fundido como era antes. Sendo assim, em 1855 foi criado o “Sublime Grande Capítulo dos Ritos Azuis” (Moderno e Adonhiramita), que comporia colateralmente ao Supremo Conselho do REAA, as Oficinas Chefes dos Ritos. O “Sublime Grande Capítulo dos Ritos Azuis” teve existência curta.

Em 1863, menos de dez anos após sua criação, ocorreu a dissidência liderada por Joaquim Saldanha Marinho, onde foi criado o “Grande Oriente do Brasil do Vale dos Beneditinos. Foram as Lojas fundadoras: Caridade, Comércio, Dezoito de Julho, Estrela do Rio, Imparcialidade, Philantropia e Ordem e Silêncio.

Em 1865, a novo GOB do Vale dos Beneditinos foi reconhecido pelo Grande Oriente da França e pelo Grande Oriente Lusitano como única potência legal e legitima para o Império do Brasil. A partir deste momento, a maçonaria brasileira cresceu e floresceu por toda Corte. Dez anos após a cisão, em 21 de Junho de 1870, Dr. Joaquim Saldanha Marinho resolve propor ao Visconde do Rio Branco (Grão Mestre do Grande Oriente do Lavradio) a fusão da maçonaria brasileira em uma única grande família para a Corte do Brasil. Após um ano da proposta, acordaram os termos da votação para a fusão. Ocorreu a votação em duas sessões como segue: a primeira, em  29 de maio de 1872; a segunda,  em 4 de junho de 1872; sendo aprovada através do Decreto 01, de 29 de maio de 1872, e o Decreto 02, de 4 de junho de 1872. O Grão-Mestre Provisório nomeado para administrar o novo corpo foi o Dr. Antônio Felix Martins (Barão de São Félix).

No mês de setembro do mesmo ano foi realizada as eleições para o cargo de grão-mestre, sendo vencedor, o Dr. Joaquim Saldanha Marinho, com 222 votos validos contra 190. Visconde do Rio Branco, sendo derrotado nas urnas e inconformado com o resultado, declarou nula a fusão dos dois grandes orientes através do Decreto nº 13, de 16 de setembro de 1872 (seguindo os mesmos preceitos de José Bonifácio, deter para si o poder). A partir da edição do citado decreto, voltou a atividade as duas potências, ou seja, o Grande Oriente do Brasil do Vale dos Beneditinos e o Grande Oriente do Brasil do Vale do Lavradio. Nesta ocasião passou a existir três potências maçônicas distintas: GOB-L - Grande Oriente do Brasil do Vale do Lavradio; GOB-B - Grande Oriente do Brasil do Vale dos Beneditinos;  GOUB - Grande Oriente Unido do Brasil (nova potência resultado da fusão). Além das três potências citadas, existia também uma quarta potência maçônica regular, denominada Grande Oriente Brasileiro, conhecido também como Grande Oriente do Passeio - GOP (que esteve inativo de 1864-1867).

Em 1874, Grande Oriente do Brasil do Vale dos Beneditinos cessou suas atividades definitivamente sendo extinto. Suas lojas se filiaram no GOUB e no GOB-L, o restante no Grande Oriente do Passeio.

No Grande Oriente Unido do Brasil, o Rito Adonhiramita foi muito bem sucedido. O número de Lojas do rito suplantou aquelas do GOB-L (cinco lojas contra duas). Assim, a nova potência (resultado da fusão de 1872), ou seja, o GOUB criou o “Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas” através dos Artigos 31 e 44, Par. 3, e de sua Constituição promulgada através do Decreto Nº 4, de 23 de setembro de 1872 (a sessão de nº 1, ocorreu em 3 de outubro de 1872, quando foi realizada a primeira eleição, sendo empossados seus Grandes Oficiais, no dia 9 de novembro de 1872, na sessão nº 2). Seu primeiro Grande-Mestre foi o Visconde de Ponte Ferreira (Dr. João Fernandes Tavares - Rio de Janeiro, 27 de dezembro de 1795 — Rio de Janeiro, 10 de julho de 1874).

No GOB do Lavradio existiam duas lojas: a “Firmeza e União II” (1854) , “Aliança” (1869). Para concorrer com Grande Oriente Unido do Brasil foi fundada em 1872, uma terceira loja, denominada de Loja  “Redenção”, perfaziam assim, três lojas simbólicas. Com essas lojas o GOB criou pelo Decreto nº 21, de 2 de abril de 1873, um homônimo (cópia), com a mesma denominação social, ou seja, “Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas”. Seu Grande-Mestre nomeado foi o Dr. Joaquim José da Cunha Guimaraes.

Três anos passado do falecimento de Visconde do Rio Branco (José Maria da Silva Paranhos: Salvador, 16 de março de 1819 – Rio de Janeiro, 1 de novembro de 1880), ao completar dez anos da tentativa de fusão (1872), Dr. Joaquim Saldanha Marinho, demostrando todo seu amor pela maçonaria, empregando todos os meios para sua unificação, propôs novamente uma nova fusão, sendo efetuada no dia 21 de dezembro de 1882, passando a partir de janeiro de 1883, existir tão somente, um grande oriente (extinção do Grande Oriente do Brasil do Vale do Lavradio e do Grande Oriente Unido do Brasil), simplesmente denominado de "Grande Oriente do Brasil - GOB". Com a fusão, a Maçonaria Adonhiramita se solidifica em única família brasileira. Em 1883 o novo GOB contava com as seguintes Lojas Adonhiramitas:

Aurora, Belém, PA

Discrição, RJ

Fraternidade Alagoana, Maceió, AL

Liberdade e Fraternidade, RJ

Modestia, Morretes, RS

Mistério, RJ

Perfeita Amizade Alagoana, Maceió, AL

Segredo, RJ

União e Fidelidade, Santarém, PA

Liberdade, RJ

Firmeza e União II, MA

Aliança, RJ

Redenção, RJ

Asilo da Prudência, RJ

Frank-Hiramita, RJ

Descrição, RJ

Aliança e Vigilância de Niteroy, RJ

Luiz de Camões, RJ

A CISÃO DE 1893 E FUNDAÇÃO DO GRANDE ORIENTE DE SÃO PAULO

Surge em 1893 um grupo de lojas lideradas por Martim Francisco Ribeiro de Andrada III, insatisfeitas com o resultado da fusão dos dois grande orientes, desejando independência e autonomia da maçonaria paulista, resolveram fazer uma nova cisão, criando assim, em 28 de maio de 1893, um novo corpo maçônico, autônomo, independente e progressista, simplesmente denominado: Grande Oriente de São Paulo (autônomo, 1993-1901). Foram diversas lojas que idealizaram a fundação do nova corporação maçônica, mais dentre elas os jornais da época destacam: Loja América, Loja Harmonia e Caridade, Loja Itália, Loja Roma, Loja 7 de Setembro, Loja União Paulista e Loja 20 de Setembro. Na mesma data foi fundada a Loja 28 de Maio, Rito Moderno. Em seguida, outras lojas foram fundadas e filiadas no novo corpo maçônico paulista. Foi aclamado como  Grão-Mestre  e Grande Comendador da Ordem para dirigir a nova instituição, o Dr. Martins Francisco Ribeiro de Andrada, tendo como 1º e 2º Grandes Vigilantes, Grande Orador, Grande Secretario,  respectivamente: Dr. Antônio Carlos Ribeiro do Andrada Machado e Silva; Dr. Gerônimo Couto; Dr. Lambert César Andreini; Geraldo Bibas.

O Grande Oriente de São Paulo foi a primeira organização maçônica brasileira a atender aos termos do decreto governamental expedido em 10 de setembro de 1893, registrando seus estatutos, como consta no Diário Oficial do Estado de São Paulo datado de 09 de outubro de 1894.

Em 1897, conforme relatam os jornais da época, houve uma tentativa de unificação do GOB com GOSP, mais sem sucesso. No mesmo ano, as Lojas América e Itália rompem com Grande Oriente de São Paulo. O GOSP fundou um novo Supremo Conselho Independente federado ao Supremo Conselho Italiano com sede em Nápoles (suas lojas praticavam o REAA, enfraquecendo o Rito Adonhiramita). No ano seguinte o GOSP passa a integrar como Grande Oriente Estadual do GOB. O GOSP viveu, portanto, sobre a perseguição acirrada do Grande Oriente do Brasil (1893-1900) na tentativa de enfraquecê-lo e torná-lo potência estadual, vindo a ser concretizado em 1901, quando da alteração da Constituição e criação e instalação das potências estaduais.

As Lojas Maçônicas Sadi-Carnoti", "Germinal", "Humanitas", "Rio Branco II" fundam em 1903 uma nova potência simbólica em São Paulo denominada de Grande Oriente Independente (1903-1918), sendo incorporada a Loja Amor e Caridade nº 313. 

Em 09 de janeiro de 1916, as lojas italianas "Libertas", "Fratellanza Universale", "Giustizia e Giuseppe Mazzini" que funcionavam independentes fundaram uma nova potência simbólica em São Paulo denominado de Grande Oriente de São Paulo Autônomo (1916-1926)Neste ano passa a coexistir as potências simbólicas: a) Grande Oriente de São Paulo Autônomo; b) Grande Oriente Independente; c) Grande Oriente de São Paulo (Grande Oriente do Brasil). 

Os ânimos se alteram na maçonaria paulista entre 1917-1920, ocorrendo uma nova cisão, o Grande Oriente de São Paulo torna-se novamente autônomo. O GOSP foi reincorporado novamente ao Grande Oriente do Brasil em 1921, sendo reinstalado como potência estadual. Por questões politicas, rompe novamente o tratado no mesmo ano, tornando-se pela terceira vez independente.

Além da cisão citada, houve também a cisão de 1927 (fundação das Grandes Lojas Simbólicas Brasileiras) e a cisão de 1948 (fundação do Grande Oriente Unido e seu Soberano Supremo Conselho (São Paulo) e o Grande Oriente de Tiradentes e seu Supremo Conselho (Minas Gerais)). Nesta época as lojas do Rito Adonhiramita que aderiram as novas potências migraram para o Rito Escocês Antigo e Aceito - REAA. 

O EXCELSO CONSELHO DA MAÇONARIA ADONHIRAMITA

O “Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas” passaria a se chamar a partir de  1953 de “Muito Poderoso e Sublime Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas para o Brasil”.


Em 15 de abril de 1968, era assinado entre o Grão-Mestre do GOB, Dr. Álvaro Palmeira e o Presidente do “Muito Poderoso e Sublime Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas para o Brasil”, Dr. Josué Mendes, um tratado de aliança e amizade.

Em 1973, ocorreu uma grande reviravolta no Rito Adonhiramita, neste ano, treze Grandes Orientes Estaduais se desligaram do GOB, significando uma perda catastrófica para o rito. A maior parte das lojas praticantes do Rito Adonhiramita, que fundaram ou migraram para as potências autônomas passaram a praticar o Rito Escocês.

Para recuperar o Rito Adonhiramita dentro do GOB e dentro do “Muito Poderoso e Sublime Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas para o Brasil” era necessário atrair maçons de outros ritos. Em 1973, sob o comando do Irmão Aylton Menezes, o “Muito Poderoso e Sublime Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas para o Brasil” muda seu nome para “Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita” (ECMA). Restava ainda a completa reformulação do rito para que se tornasse mais atrativo para uma população maçônica majoritariamente do REAA, ou seja, habituada a um sistema de 33 graus e que não se sentiria atraída por um rito com apenas 13 graus.

Em 2 de junho de 1973, ano em que se comemorava o centenário da criação do Grande Capítulo de Cavalheiros Noachitas pelo Grande Oriente do Brasil, ocorreu uma reforma administrativa que o transformou no Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita, passando a partir de então para 33 graus. Dentro de 9 anos, ou seja, a partir de 1982, o Rito Adonhiramita estava completamente transformado (reneado): transformado em 33 graus; foi introduzido no rito o cerimonial de incensação; cerimonial de das luzes; uma acentuada influência ocultista e uma tendência a contínuas modificações.

Atualmente, o Rito Adonhiramita é praticado no Brasil por todas as potências regulares e legitimas, em Portugal, no Uruguai e na França.

Pesquisa desenvolvida por: José Mendes, MI, GR-33