A FUNDAÇÃO DO GRANDE ORIENTE BRASILEIRO OU GRANDE ORIENTE DO PASSEIO

A FUNDAÇÃO DO GRANDE ORIENTE BRASILEIRO OU GRANDE ORIENTE DO PASSEIO




Os maçons brasileiros sob a liderança do Senador Vergueiro começam a se agrupar novamente a partir de 1829 na corte do Brasil para forjar uma nova corporação maçônica. As “Lojas “Vigilância da Pátria”, “União” e “Sete de Abril” continuaram em plena atividade. Em 1830, arquitetaram a fundação do novo grande oriente antes mesmo da abdicação de D. Pedro I. Foi incorporada ao projeto, a Loja "Razão". Os maçons sobre o comando do Senador Vergueiro começaram a se movimentar rapidamente para a oficialmente instalar a nova instituição.

Em 24 de junho de 1831, é instalado e consagrado na cidade do Rio de Janeiro, o GRANDE ORIENTE NACIONAL BRASILEIRO, conhecido também como GRANDE ORIENTE DO PASSEIO, alusão a sua sede instalada na Rua do Passeio, conforme publicado no Boletim Oficial do Grande Oriente Brasileiro, “O Vigilante” (Ano 1870, Eds. 0001 e 0002).

A partir do mês de junho do mesmo ano, graça aos esforços de valorosos franco-maçons brasileiros e o empenho e liderança do Senador Vergueiro (Nicolau Pereira de Campos Vergueiro, maçom republicano e liberal, nascido em Val da Porca, Portugal, 20 de dezembro de 1778, Rio de Janeiro - falecido em 18 de setembro de 1859, republicano), a maçonaria brasileira retoma seus trabalhos em prol da Pátria, da Ordem e da Humanidade.

Em novembro de 1831, José Bonifácio (José Bonifácio de Andrade e Silva: nasceu em Santos, São Paulo, em 13 de junho de 1763 - faleceu em Niterói, Rio de Janeiro, 6 de abril de 1838, "monarquista constitucional representativo"), ao retornar do exilio, sabendo que o Senador Vergueiro tinha fundado Grande Oriente Brasileiro, querendo deter os direitos da maçonaria para si, funda e instala em 23 de novembro de 1831, um outro corpo maçônico, denominado de "Grande Oriente do Brasil, conhecido como Grande Oriente do Vale do Lavradio" (alusão a rua de sua sede), reinstalando cópias das três lojas extintas fundadoras do antigo Grande Oriente Brasileiro, Brasílico ou Brasiliano (1822, extinto).

Os primeiros dirigentes eleitos para administrar o Grande Oriente Brasileiro foram os seguintes francos-maçons: Grão-Mestre - Nicolau Pereira de Campos Vergueiro (Senador Vergueiro); Grande Primeiro Vigilante – Epifânio José Pedroso; Grande Segundo Vigilante - Antônio Pedro da Costa Ferreira; Grande Orador – Joaquim José Rodrigues Torres (Visconde de Itaboraí); Grande Secretário - Padre Belchior Pinheiro de Oliveira; Grande Secretário Adjunto – João Machado Nunes; Grande Chanceler – José Joaquim de Lima e Silva (Visconde de Majé). Os maçons que instalaram o "Grande Oriente Nacional Brazileiro" foram todos remanescentes dos quadros das lojas do Grande Oriente Brasiliano ou Brasílico que foi extinto em 27 de outubro de 1822, dentre eles, Joaquim Gonçalves Ledo e Frei Belchior.

Em 19 de agosto de 1831, o Grande Oriente Brasileiro instala a loja mãe da maçonaria paulista na cidade de Porto Feliz, simplesmente denominada de Respeitável Loja “Inteligência”. Em 24 de outubro de 1832, foi promulgada e publicada sua primeira Constituição. Essa constituição veio sofrer uma única alteração em 13 de setembro de 1834.

Poderíamos afirmar que o Grande Oriente do Passeio seria o sucessor legitimo por origem do primeiro Grande Oriente Brasileiro (fundado na Bahia em 1813 e encerrado suas atividades em 1817) e do segundo Grande Oriente Brasileiro (fundado no Rio de Janeiro em 1822, conhecido como Brasílico ou Brasiliano e encerrado suas atividades em 1822).

Em 1833 foram incorporadas ao Circulo do Passeio as lojas independentes: Comercio e Artes (original); Educação e Moral; Reunião Brasileira; Amor da Pátria; conforme noticiado no jornal Boletim Oficial do Grande Oriente Brasileiro, “O Vigilante”, (Ano 1871\Edição 00017) e no jornal "O Brasileiro" (Ano 1833, Edição 00062). A Loja Comercio e Arte denunciou o GOB no jornal O Brasileiro, como sendo perseguidor dos maçons no reino de D. Pedro I.

O Grande Oriente Brasileiro lança em 1834 os primeiros rituais oficialmente dos graus simbólicos e filosóficos do Rito Escocês Antigo e Aceito no Brasil, impresso na tipografia Seignot-Plancher, Rua do Ouvidor.

O Grande Oriente do Passeio instala e consagra seu Supremo Conselho para o Rito Escocês Antigo e Aceito em 1835 com carta patente expedida pelo Grande Oriente de França.

Em novembro de 1836, foi realizada a primeira eleição para o cargo de Grão-Mestre e Oficias do Grande Oriente do Passeio, sendo o Senador Vergueiro sucedido pelo Visconde e Marquês de Sapucaí (Candido José de Araújo Vianna - 15 de setembro de 1793, Nova Lima, Minas Gerais - 23 de janeiro de 1875, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro).

Em 1844, o Supremo Conselho do Grande Oriente Brasileiro ratificou tratado de aliança e amizade com o Supremo Conselho de França, reconhecendo como o único e legal no Império do Brasil.

O Grande Oriente do Passeio tinha tratado e reconhecimento com diversas potências regulares daquela época, dentre elas: Grande Oriente Lusitano; Grande Oriente da Itália; Grande Oriente da França; Grande Oriente Unido do Brasil (antes da fusão de 1883 com o GOB-Lavradio); Gran Oriente de Montevideo; dentre outros. Era a única corporação maçônica litúrgica brasileira regular, legitima e reconhecida, como única autoridade legal para o Rito Escocês Antigo e Aceito para a corte do Brasil.